Sete décadas de dados econômicos que ninguém colocou lado a lado — do milagre à hiperinflação, do Plano Real à nova estagnação.
Ambos os índices partem de 100 em 1950. A distância entre as duas linhas é a riqueza gerada que não chegou ao trabalhador.
Como ler este gráfico: os dois valores foram convertidos para um índice onde 1950 = 100, permitindo comparar o ritmo de crescimento independentemente das unidades originais.
O que chama atenção: o PIB per capita multiplicou por 6,6 desde 1950. O salário médio real cresceu bem menos — e na hiperinflação dos anos 1980–90, despencou. A área vermelha destaca o pós-Covid-19 (2020–2024): o PIB se recuperou, mas o salário mal saiu do lugar. O padrão se repete. Dados de 1950 a 1991 são estimativas com menor precisão.
Expresso em reais constantes, o salário mínimo atingiu seu pico no início dos anos 1960, foi comprimido durante a ditadura, e só recuperou esse nível nos anos Lula.
O que é salário mínimo real: o nominal é o número na lei. O real desconta a inflação e mostra o que aquele dinheiro efetivamente comprava, em reais de 2024.
O que o gráfico revela: quem recebia o mínimo em 1961 tinha mais poder de compra do que em 1985, 1990 ou 1995. A recuperação real só veio após 2004. O valor de 2024 equivale ao poder de compra de 1961.
"A ditadura militar foi o maior programa de concentração de renda da história do Brasil — disfarçado de milagre econômico." — Edmar Bacha, economista
O coeficiente de Gini mede concentração de renda de 0 a 1. O Brasil chegou a 0,64 na ditadura — um dos mais altos já registrados no mundo.
O que é o Gini: imagine ordenar a população do mais pobre ao mais rico e comparar a distribuição real com uma linha de igualdade perfeita. O Gini mede esse desvio. Países escandinavos ficam em torno de 0,27. O Brasil raramente ficou abaixo de 0,52.
O que o gráfico revela: a desigualdade piorou na ditadura e só caiu gradualmente a partir dos anos 2000. A linha nunca chegou perto de países desenvolvidos — e voltou a subir após 2015.
Entre 1964 e 1994, o Brasil trocou de moeda 7 vezes. Escala logarítmica para que os anos normais não desapareçam.
O que é inflação: aumento geral dos preços. Com 10% ao ano, R$100 viram R$110 em dezembro. Quem tem dinheiro parado perde poder de compra.
Por que logarítmica: em 1990 a inflação foi 2.947% — os preços triplicaram a cada mês. Em escala normal, os outros anos desapareceriam.
O que o gráfico revela: quase 10 anos de hiperinflação (1985–1994) e sete planos fracassados. O Plano Real derrubou a inflação de 909% para 22% em menos de um ano.
"Não há forma mais sutil e segura de subverter a base da sociedade do que corromper a moeda." — John Maynard Keynes
A dívida bruta do governo cresceu quase ininterruptamente desde a redemocratização — ultrapassando 88% do PIB em 2020.
O que é dívida pública: o total que o governo deve a credores. Como % do PIB, mostra quanto da produção anual seria necessário para quitar tudo.
O que o gráfico revela: em meados dos anos 2000, caiu para 33% do PIB. A partir de 2014, a trajetória inverteu. Em 2020 chegou a 88%. O problema não é o tamanho — o Japão tem 200% — mas o custo: o Brasil paga os juros mais altos do mundo.
A SELIC é um imposto invisível sobre quem produz e um subsídio permanente para quem tem capital financeiro.
O que é a SELIC: a taxa básica de juros definida pelo Banco Central. Funciona como o "preço do dinheiro" — influencia crédito, financiamentos e rendimentos.
O que o gráfico revela: os picos dos anos 1986–1994 refletem a tentativa de conter a hiperinflação. EUA, Europa e Japão ficaram próximos de zero por mais de uma década. No Brasil, a mínima histórica foi 2,75% em 2020 — e logo voltou a 13,75%.
Mesmo nos anos de queda do Gini (2000–2013), a elite do topo manteve sua fatia da renda nacional.
O que este gráfico mede: qual fatia de toda a renda nacional vai para o 1% com maior rendimento — cerca de 2,2 milhões de pessoas hoje.
O que o gráfico revela: em 2019, esse grupo capturou 28% de toda a renda nacional — quase o mesmo que os 50% mais pobres juntos. A redução da desigualdade dos anos 2000 ocorreu na base, sem tocar o topo.